O meu momento mais transcendente ocorreu no 7º Ano, quando descobri que o excesso de açúcar no sangue me dava a capacidade de decifrar os enigmas das caixas de cereais, uma descoberta que podia ter sido a solução para o meu futuro mas que em vez disso me viu repetir o 7º ano até que conseguisse resolver equações simples sem produzir os ruídos de um esturjão em chamas.
Rídiculo, hã? Não, é ainda mais: ainda que escrito de forma absolutamente crível, o exemplo acima é falso, o que serve para demonstrar que a transcendência e os puzzles dos cereais não são o meu forte.
É difícil para um existencialista (mesmo um que tem medo de o ser) sentir algo transcendente sem uma corrente de 2000 Volts à mão. Isto, claro, torna uma pessoa algo alheada de algumas agruras da vida, mas tem a contrapartida tragicómica de fazer o mesmo em relação às alegrias. Há uma razão para o cinzento ser a minha cor favorita.
Mas existe uma excepção: todas aquelas histórias de cavaleiros e telenovelas brasileiras criaram em mim um desejo ardente de conhecer a mulher da minha vida. Para surpresa minha, conheci. Para ainda maior surpresa minha, o sentimento é recíproco. E, para surpresa mútua, ainda não a perdi num Aquamatrix de inépcia e imbecilidade. Dia após dia, sinto que mereço mais o nosso Amor, que estou a construir não um futuro, mas o futuro que sempre quis e que tem a forma dela.
Perdoem a lamechice. É que este fim de semana ofereci-lhe um anel - e o meu amor eterno, mas o primeiro brilha e chama mais a atenção - e ainda não parei de me sentir transcendente.
1 comentários:
Não tenho muito mais a dizer, não consigo dizer muito mais. Sou a pessoa mais mimada, feliz, lamechas, babada e grata do mundo. Por te ter, por me quereres. :*
E este sorriso que não sai... :)
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