O presidente da JS da minha Pombal natal deu uma entrevista de verdadeiro dirigente next-gen. Primeiro, tratou de fazer a expiação dos pecados...de todos os outros. Os que não apareceram, os que não estiveram à altura, etc. Lá para o fim, em jeito de machadada, aponta baterias aos blogs, concretamente a uma das melhores coisas que aconteceu à democracia pombalense. Aliás, a duas. Diz Tiago Galvão que não é no Farpas, Facebook ou Hi5 que se faz política. Em primeiro lugar, se não há critério para os sites a enumerar, eu dou-lhe uma ajuda: aqui e aqui, a política também escasseia.
O que não falta no 4chan é discussão. A mesma coisa que a política portuguesa abomina, por estes dias. O último Correio de Pombal foi extremamente útil para perceber aspectos transversais do que temos e nos espera em terras do Marquês. Tiago Galvão, como o presidente da câmara, não gosta de blogs. E, numa geração intermédia, Diogo Mateus diz deste governo que nos arrastou para uma situação de pobre democracia. De facto. Nada como o rubro canteiro de cravos que são Pombal e o seu bloco central, excepções à parte.
Três escalões etários, a mesma intolerância à discussão. Realmente, o Adelino Malho é que tem razão. É alguma coisa na água.
3 comentários:
O Tiago Galvão devia agradecer, porque tem mais visibilidade dos blogues do que noutro sítio qualquer. Talvez ele até ande a "fazer política" por outros lados, mas a verdade é que não tenho visto nada...como secretário geral (creio que não me engano na denominação) de uma Juventude Partidária exige-se mais, espero.
Mesmo assim, ainda gostava de saber qualque é o conceito de "fazer política" para ele, porque pode ser bem diferente do meu e assim se justificar o facto de não estar em consonância com as suas declarações. ´
Também é verdade que não precisamos ser políticos ou aspirar a qualquer lugar na política para comentar o que se passa na nossa terrinha, porque somos eleitores e temos o direito de fazer ouvir as nossas opiniões.
No teu último parágrafo é que está a questão central. A da disseminação do maldito argumento do "Volta a comentar/criticar/apontar quando tiveres estado nesta vida". A vulgarização da ideia de que tentar é sempre melhor que ficar parado, defendida por Roosevelt e até Camões. Que é muito certa se interpretada a nível pessoal, com um mínimo de sucesso, ou se se pensar nos que não tentam como os mais pobres entre os pobres de espírito.
Aplica-se a iluminada e inspiradora tese à política, e o que temos são pessoas sem noção das suas limitações nem das consequências alargadas dos seus actos, assumindo terem legitimidade para tudo pelo facto de ocuparem o lugar. E que usam a tal grandeza de espírito - que é bênção de uns poucos - para vergastar nos medíocres que ouvem criticá-los.
Os políticos pombalenses não podem, no geral, queixar-se da crítica a que são sujeitos. Com as excepções à respeitabilidade deviam poder eles bem. O que lhes fica mal, a eles e à democracia, é anteciparem-se à crítica.
No meio de de tudo o que escrevo, de vez em quando até sai alguma coisa de jeito.eheheh
Diz-se popularmente que "quem não deve, não teme". E se os políticos pombalenses estão tão preocupados com a crítica e com a participação activa dos cidadãos, motivos terão. E suponho que não são motivos que vão de encontro ao interesse dos pombalenses em geral.
Enviar um comentário