Um jovem formando da área de gestão, com o discurso e ideias de sempre, ao qual não falta o optimismo que hoje serve de free pass para as altas esferas de tantos sectores, apontou, ainda assim, na sua intervenção, a ética. Outras das pastilhas que, por estes dias, já entram mastigadas em todas as bocas públicas. Mesmo assim, mais vale ser referida, que ainda causa algumas comichões.
Trata logo um dos ilustres convidados de Fátima Campos Ferreira de dizer que a ética não é central ao desenvolvimento económico do país. Para que aprendas, menino. A ética é um entrave ao enriquecimento. E, assim sendo, é um entrave a um Portugal melhor - não, a um Portugal moderno. Tudo o que a mentalidade vigente pretende é levar-nos para o futuro. Que interessa qual?
Nota: O dito formando defende-se valentemente, relembrando, e muito bem, que foi a falta de ética que nos colocou onde estamos hoje. Bravo!
6 comentários:
Vou-te dar um exemplo pessoal. A minha faculdade de Economia é no mesmo edifício da de Gestão. E o que não falta é pessoal a querer acabar com a cadeira de ética por ser "useless"...
As gerações começam a dividir-se entre os falhados puro e duros e os obtusos numéricos de sucesso internacional.
Admirável fundo novo...cada vez mais perto.
Estas coisas deixam-me, no mínimo, fora de mim! Como é que alguém quer ser um bom profissional sem saber as normas éticas pelas quais é regido? Eu sinto que muitas pessoas consideram a cadeira dispensável, e verifiquei isso no meu curso...veja-se, Enfermagem, em que se trabalha com o ser humano e muitas vezes somos confrontados com as situações mais complexas que se possa imaginar.
Exige pensamento crítico, e isso é uma chatice!!!
Em comunicação empresarial não tivemos qualquer cadeira devotada à ética, de que me recorde. Podíamos apenas contar com a que alguns professores possuíssem. Mas, para dar um exemplo, uma turma paralela à minha tinha o Jorge Coelho como professor de política. Consta que um dia referiu que não existiam políticos corruptos.
É ver o uso nefasto tantas vezes dado à comunicação, por estes dias.
Se tivermos em conta que esses gajos que fazem uso da corrupção nem sequer merecem ser considerados realmente políticos, mas uns oportunistas que se fazem valer do estatuto que alcançam em benfício próprio (para não chamar qualquer coisa pior), se calhar o Jorge Coelho até tem razão.
(Já estou com dores nos maxilares à custa do riso que esta revelação me provocou)
«A ética é um entrave ao enriquecimento.» Claro, por isso o meu blogue tem um sub-título: Por trás de cada grande fortuna há um crime!
O capitalismo como se vem praticando, todo ele, é criminoso, objectivamente anti-ético.
Saudações
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