12/22/2009

Tensão de mijo

O PS enganou-se no frasco. Tinha acabado de desmentir Ricardo Rodrigues - o que é sempre aconselhável quando se quer passar a ideia de ser realmente um partido maioritário e não um grupo de coveiros de país proactivos - e em vez de continuar com os antidepressivos, atirou-se aos esteróides. Vai daí, toca de procurar uma briga com o primeiro que lhe apareça à frente. Tramou-se, foi Cavaco Silva quem desferiu (mais) um reminder em forma de marreta, apontando o óbvio: a agenda política (ou mediática) do PS, carregada dos tais temas fracturantes (o nome é deveras apropriado), está tão longe dos reais problemas do país como Ricardo Rodrigues de vice-presidente de bancad...espera...Pronto, está tão longe da realidade do país como o primeiro-ministro está de escândal...hum...

Os socialistas de veias salientes enviaram então um peso pesado, Sousa Pinto, para falar de Cavaco como quem olha de frente. Pobre Sousa Pinto, que não olhava de frente para um lancil enterrado no betume até ao nariz. Mas mesmo lá de baixo, e com uns microfones apontados, Sousa Pinto falou grosso. Como acontece por estes dias, as palavras de petizes como Sousa Pinto e João Soares - e, já agora, da maior parte do PS e governo - só têm peso porque são para se ouvir com a voz de Sócrates em vez da dos fantoches. Ainda agora o dito primeiro enalteceu o trabalho de Assis, Rodrigues e Sousa Pinto, pela sua combatividade e serviço ao PS. Passe as piadas de siglas, mais velhas que Saramago depois de amanhã, deve estar o dito primeiro a referir-se ao Partido de Sócrates. O outro PS, esse, há-de ficar como o país. Partido, mas no pior dos sentidos, quando levantarem o tapete à saída do há muito desmentido profeta.

É esta a estratégia de atrito do PSócrates para afrontar o Presidente depois da perda do título de Miss Popularidade do seu líder. Vão todos ao urinol ao mesmo tempo que Cavaco, comparar. E, de tanto gritarem que são maiores, até parece que crescem.

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